Entrevistargh! Tecnopop

Publicado em Entrevistarghs! por empreendedorargh em 11/09/2008

Nome da empresa: Tecnopop Comunicação Visual e Multimidia

Entrevistado: Rodrigo Martins Machado

Área: Design

Serviços que oferecem: serviços de design, nas áreas de branding, design gráfico, design para cinema e TV, e webdesign

Sócios:
André Stolarski (Arquiteto / Diretor de Criação)
Marcelo Pereira (Designer / Diretor de Criação)
Luis Marcelo Mendes (Jornalista / VP de Operações)
Raul Mourão (artista plástico / sem cargo na empresa)
Sônia Barreto (designer / sem cargo na empresa)

Quantidade de funcionários: em torno de 20, entre estagiários, pessoal de apoio e designers associados.

Localização: Rio de Janeiro

Ano de fundação: 2000

site: www.tecnopop.com.br

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Qual foi sua formação?

Eu gosto de brincar que eu sou formado nas selvas tropicais e tributárias brasileiras. Na verdade, eu primeiro estudei Biologia na UFRJ, tranquei logo no primeiro semestre e no ano seguinte passei a cursar o curso de Tecnólogo em Processamento de Dados na PUC/RJ, onde eu teria me formado como Analista de Sistemas se não tivesse abandonado a faculdade. Crianças, não façam isso em casa!

Como você era como aluno?

Na escola eu sempre fui um aluno que dedicava mais energia em entender as coisas na sala de aula do que nos estudos em casa. Era relapso nos deveres de casa, mas conseguia me garantir me dando bem nas provas. Na faculdade eu acabei lidando profissionalmente com tecnologias que me afastaram do trilho do currículo. Como eu estava ganhando um bom dinheiro e acreditava no meu instinto empreendedor, optei por investir nas minhas idéias fora da faculdade.

Quais foram suas experiências profissionais pré-empresa?

Eu comecei estagiando na Natron, uma empresa de engenharia num projeto de nacionalização de um sistema de controle do processo de fabricação de papel, e que me deu uma sólida base técnica em software básico. Depois disso eu trabalhei alguns anos na SPA, uma distribuidora de software, onde eu era o responsável pelo suporte técnico de um produto voltado para a indústria. Nessa época eu aprofundei meus conhecimentos sobre redes e protocolos de comunicação, além de passar a ministrar treinamentos, me relacionar com clientes tanto antes quanto depois das vendas. Cheguei a lidar com questões da importação do produto, atuando junto ao fornecedor americano e aos orgãos aduaneiros.

Em 1994, eu fui contratado pela Medusa, uma integradora de sistemas para participar de um projeto pioneiro de automação industrial na Brahma. Fiquei lá alguns anos, e tive experiências no exterior e na liderança de uma equipe de mais de vinte pessoas.

Em 1997, eu saí da Medusa e abri a minha primeira empresa, a Proativa Sistemas, onde obtivemos resultados mais rapidamente com o esperado. Foi na Proativa que eu comecei a aprender na marra alguns conceitos básicos e primários do que é ter uma empresa no Brasil.

No final de 1999, após uma tentativa de fusão mal-sucedida com a Medusa, de onde tínhamos saído, vendi a minha parte na Proativa e fiquei esperando o mundo acabar após o bug do milênio. Apesar de não ter mais ligação com a empresa, me orgulho muito de ter participado da criação de uma empresa que sobreviveu aos primeiros e difíceis anos de vida e está aí firme e forte mais de dez anos depois.

De onde (e por quê) surgiu a idéia da empresa? Quanto tempo até ela se transformar na empresa em si?

Corria o ano de 2000, o mundo não tinha acabado, mas vivia-se a chamada bolha da internet. Todos os dias se lia a respeito do garoto que havia ficado milionário com um site que ninguém sabia bem para o que servia ou de onde viria o dinheiro.

Numa conversa com meu grande amigo Raul Mourão, fiquei sabendo que ele estava começando um projeto onde ele e outros sócios iriam ficar milionários. Uma vez que nenhum deles nunca tinha administrado coisa nenhuma nem tinham a menor idéia a respeito de sistemas e bancos de dados, eu me ofereci para fazer parte da trupe e fui aceito.

Durante poucos meses, nós tentamos vender o projeto para investidores, mantendo um site no ar com muito esforço e nenhum retorno. Como a bolha já estava estourando, nenhum capitalista topou injetar dinheiro nessa operação, o que de certa forma foi uma sorte nossa, pois não ficamos com nenhuma dívida. Após cerca de quatro meses, depois de ouvir várias vezes que dinheiro estava dificil, mas que o site era muito legal e bem feito, seguindo-se a pergunta sobre quem é que tinha feito o site para nós, constatamos que tínhamos capacidade de realizar projetos interessantes e resolvemos trazer a Tecnopop, que seria a empresa por trás do site, para a linha de frente. Em setembro de 2000. funcionávamos numa salinha no Jardim Botânico no Rio de Janeiro, e em janeiro de 2001 nos mudamos para um conjunto de salas maiores na Praia do Flamengo.

Como foi o contato e a relação com o primeiro cliente?

Bom, antes dessa história toda, com 16 anos, eu trabalhei como caixa numa livraria. Então acho que o primeiro contato foi nessa época.

Depois disso, na SPA, uma das minhas primeiras missões foi treinar profissionais da Johnson & Johnson e da CSN. Posso dizer que consegui estabelecer relações de confiança com esses clientes. E na Medusa, existia uma relação bem próxima com a Brahma, que confiava plenamente na empresa no que dizia respeito à automação industrial.

Qual foi seu maior fracasso?

Acho que foi a decisão de tentar a fusão da Proativa, uma empresa que nasceu do nada e que após dois anos era eficiente, conceituada e lucrativa, com a Medusa, uma empresa de onde eu e meu sócio tínhamos saído, e que tinha sérios problemas administrativo-financeiros. A ilusão de que nós eramos tão bons que daríamos jeito no que nós sabíamos que estava irremediavelmente errado me levou a aceitar essa fusão que meses depois se revelou um desastre. Reflito que o orgulho falou mais alto que a razão.

Hoje, como é seu cotidiano na empresa?

Eu sou o responsável pelo planejamento e pelas finanças da Tecnopop. Além disso, funciono como uma espécie de consultor para o time de internet, apontando caminhos para melhorarmos nossos processos de desenvolvimento e ocasionalmente atuo como responsável por projetos desempenhando desde a função de atendimento até a por direto a mão na massa, quase como uma terapia.

Deveria me manter mais distante de certas miudezas do dia a dia, mas muitas vezes me vejo absorvido por alguns desses probleminhas. Gostaria também de ter mais tempo de qualidade para me dedicar às pessoas, que são o mais valioso ativo de empresas como a nossa.

Como você lida com os aspectos administrativos da empresa?

Eu tenho um comportamento quase obsessivo em torno de saber o que está acontecendo, não ter dívidas e planejar bastante cada passo. Desde a minha primeira empresa acompanho diariamente como anda o fluxo de caixa, e não consigo imaginar que uma empresa funcione de forma diferente, sem a barriga do dono encostada no balcão.

O que você procura nos candidatos a emprego em sua empresa?

Eu pessoalmente me interesso muito pela bagagem de vida e pela disposição e disponibilidade para aprender. Acredito que é muito mais valiosa a capacidade de adquirir novas habilidades do que o profundo conhecimento de alguma competência. Além disso, acreditamos em gente que nos pareça apta a reagir bem em situações de pressão e que estejam dispostas a se reinventar quando necessário ou interessante. Um amigo americano me disse uma vez que existem dois tipos de pessoas: os comuns e os “engenheiros”, que sabem construir formas de sobreviver. Os primeiros serão sempre empregados, os outros podem fazer o que quiserem. Nós procuramos os “engenheiros” com habilidades felinas, aqueles que se você puxar o tapete sob seus pés conseguem cair de pé com impulso para seguir em frente.

Como você vê a concorrência em sua área hoje?

O mercado de design quase não apresenta barreiras de entrada para quem quer começar a empreender nessa área. Isso pode ser uma benção, mas muitas vezes permite que gente abra negócios sem a menor noção dos desafios e dificuldades que fatalmente os assolarão. Isso aliado ao fato de ser um mercado ainda em processo de amadurecimento cria muitas situações desagradáveis relacionadas a práticas pouco saudáveis tanto para clientes e fornecedores.

No entanto, é inegável que nesses últimos sete anos o mercado amadureceu. E falando do ponto de vista da nossa empresa, temos conseguido cada vez mais concorrer com empresas maiores em torno de projetos mais complexos, com menos probabilidade de esbarrarmos em más ´ráticas.

Como é o mercado de trabalho na sua área para um jovem graduado em design?

- Eu vejo um mercado muito promissor. Mas acho que antes de pensar em abrir um negócio próprio, o graduado em design deve dedicar um tempo trabalhando em empresas e absorvendo mais informações sobre toda a cadeia produtiva, desde a prospecção até a entrega final, sem desprezar os aspectos comerciais e financeiros do processo. É o entendimento dessa mecânica que vai permitir que ele seja um profissional mais valioso, tanto para ele próprio quanto para seus contratantes. É muito importante que se entenda como acontece a mágica de fabricar salários todos os meses.

Qual foi o maior sucesso da empresa?

De maneira mais abrangente o nosso maior sucesso foi ter conseguido construir uma empresa apenas com o nosso esforço, sem ter adquirido dívidas e sobrevivendo aos primeiros anos, os mais difíceis. Falando de alguns projetos específicos, nos orgulhamos muito de alguns projetos premiados, como o projeto para a stando do Brasil na ARCO desse ano, premiado no IF, ou o Overmundo, site colaborativo que ganhou o Golden Nica no Prix Ars, conceituado como o mais importante prêmio da mídia digital.

Você pode dar uma idéia do crescimento da empresa em faturamento e número de funcionários através dos anos?

Nós começamos em 2001, com um estagiário e um mensageiro, e um faturamento de menos de R$500 mil anuais. No final de 2003 tínhamos dobrado o faturamento e tínhamos cerca de dez colaboradores, além dos sócios. Nos anos seguintes crescemos mais 50% em todo o período e temos hoje cerca de vinte colaboradores.